Dia Internacional da NÃO-violência contra a Mulher
Ahimsa, que falei um pouquinho neste post, é um dos cinco yamas (preceitos morais, considerados junto com os nyamas a base ética do yoga) que fala sobre a não violência. Ahimsa significa não causar dano , não ser violento, mas pode ser traduzida como compaixão. Segundo a ética do yoga, o ser humano é capaz de transformar sua natureza e evoluir por meio de atos compassivos.
Amanhã, 25 de novembro, é o Dia Internacional da não-violência contra a Mulher e as meninas dos blogs Mamíferas e Parto no Brasil propuseram uma blogagem coletiva em prol do fim da violência obstétrica. Nessa semana mesmo saiu essa matéria na Folha Online, dizendo que o governador de São Paulo vai apurar uso de algemas em parto, em resposta a denúncia feita no dia 18 de que presas são mantidas algemadas durante o trabalho de parto e parto. Lendo essa reportagem parece claro que essas mulheres são mau tratadas. Porém a violência contra a mulher em trabalho de parto e parto é muito mais comum do que muitas pessoas imaginam, inclusive nós mulheres, e vai muito além da agressão física. Tantos em hospitais da rede publica quanto em hospitais particulares os relatos de violência e maus tratos são inúmeros.
Nós mulheres devemos exigir o direito de sermos respeitadas e bem tratadas tanto pelos profissionais que nos atendem como pelas instituições. É no mínimo triste pensar que uma mulher em um momento tão delicado, sensível e frágil como o parto possa sofrer tantos maus tratos e violência. A não permissão (que é um direito por lei) de um acompanhante que ela escolha e confie, a falta de assistência quando ela solicita, a quantidade excessiva de exames de toque, a falta de explicação sobre os procedimentos que serão realizados, episiotomia desnecessária, cesárea desnecessária, separação de mãe e bebê após o nascimento são só alguns exemplos. Ou você nunca ouviu uma história de alguma mulher que foi obrigada a ficar calada durante as contrações para conseguir ser atendida? O mais triste é que essas mulheres aceitam esse tratamento como algo normal, que sempre foi assim e assim tem que ser.
Uma querida amiga, há alguns anos atrás, entra em uma maternidade luxuosa de São Paulo em franco trabalho de parto em busca de um parto normal. Entra na sala de triagem com o marido para ser examinada. Enfermeira olha pra ela, olha pra ele e diz: xi, mãe branca e pai negro não nasce de parto normal…
Uma mulher em trabalho de parto deve ser respeitada, tratada com carinho e palavras apoio. Qualquer mulher que ja passou por um trabalho de parto sabe o quanto pode ser agressiva e violenta uma “simples” frase como essa.
A doutoranda em Saúde Coletiva, Ligia Moreira Sena, lança amanhã o convite para sua pesquisa que vai investigar a ocorrência de desrespeito, maltratos e violência no pré-parto, parto e pós-parto na visão de mulheres que foram atendidas em instituições de saúde. No blog dela, o cientista que virou mãe, tem mais informações para quem quiser.
B.K.S Iyengar diz que “ahimsa é não-violência, não só no sentido restritivo de abster-se de matar ou cometer atos violentos, mas no sentido positivo e abrangente de um amor por toda a criação”. Então uma mulher em trabalho de parto deveria ser acima de tudo amada por quem assiste seu parto, em sua manifestação real e concreta de criação, dar a luz a uma vida!
“Quando a não violência [em pensamentos, palavras ou ações] estabiliza-se firmemente, as atitudes hostis cessam em sua presença”
Yoga Sutra de Patanjali (tradução Pedro Kupfer, 2004)
Mantra OM
O termo mantra deriva da raiz verbal sânscrita “Man”, pensar, ter em mente e do sufixo “Tra” que é usado para a formação de substantivos que designam instrumento ou ferramenta. Um mantra é portanto uma ferramenta que proporciona a mente o poder de se concentrar e se purificar elevando o estado de consciência. De maneira geral, existe a noção genérica de que o mantra é uma sílaba, palavra ou sequência de palavras e sílabas com o objetivo de reestabelecer a atenção e elevar a mente a uma faixa vibratória específica. Para Swami Sivananda, “a repetição do Mantra elimina a impureza da mente.”
OM é uma síbala sagrada, o símbolo de Brahman, o Ser Absoluto. Também é o símbolo universal do Yoga, um som ou vibração que representa o universo como uma totalidade. É celebrado em diversas filosofias e religiões porém se originou na filosofia hindu. É formado pelo pelo ditongo das vogais a e u, e a nasalização, representada pela letra m. Por isso é que, às vezes, aparece grafado Aum.
Diz-se que o mantra OM contém todo o conhecimento dos Vedas, o poder sobre a matéria, a consciência do espaço e do tempo, do presente, do passado e do futuro. É considerado o corpo sonoro de Brahman, a partir do qual todo o univesro se forma. É a vibração primordial, o som do qual emana o Universo, a substância essencial que constitui todos os outros mantras, sendo o mais poderoso de todos eles. Ele é o gérmen, a raiz de todos os sons da natureza. Por essa origem divina e essencial, o mantra OM figura como o começo, o meio e o fim.
Namastê
Nascimento da Lavínia da Sabine (28/03/11)
É PRECISO ENLOUQUECER PARA PARIR
Por Sabine, mãe de Lavínia
Quando criança brincava de boneca e todas faziam força para nascerem seus bebês, até que um dia eu soube que para fazer um bebê nascer a mulher precisava tomar uma injeção na coluna. Desde então, guiada pelo medo da tal injeção, fantasiava minhas bonecas desmaiando quando o bebê ia nascer e, ao acordar, adivinhem, o bebê magicamente aparecia em seus braços.
Anos mais tarde, ao cursar a faculdade de Psicologia, tive a oportunidade de, em uma aula, assistir a um documentário sobre uma parteira alemã que ajudava mulheres brasileiras a terem seus filhos em casa. Os partos eram bonitos, emocionantes e, acima de tudo, livres: as mulheres tinham seus filhos como fosse melhor, adotando diferentes posições. Com esta mesma professora conheci o livro ‘Nascer Sorrindo’ de Fréderick Leboyer e todo um novo universo se abriu. O mais curioso é que este universo não trazia nada de novo pois tudo o que girava dentro dele era absolutamente natural. Sabe quando a gente lê um texto novo e tudo que está ali parece que já conhecíamos, justamente porque o autor expressa idéias que temos mas ainda não formulamos? Pois foi assim que comecei a conhecer o parto humanizado e pensei “se isto de bom existe, quero para mim”. Anos depois, já formada, assisti ao documentário ‘Parto Orgásmico’ seguido por um debate sobre a apropriação do corpo feminino pelas ciências médicas, e de como as mulheres perderam sua intimidade com o corpo, aceitando se subjugarem a tal conhecimento.
Já casada e desejosa de engravidar passei a visitar alguns sites de parto humanizado e li relatos de mulheres que trouxeram seus filhos à luz de forma natural e ativa. Consultei alguns obstetras do meu convênio médico em busca de um que trabalhasse com parto natural, foi catastrófico: o primeiro deu um corte na minha idéia ameaçando “você aceitaria colocar seu filho em risco?” bem, eu diria que ele deu uma cesárea na minha idéia de parto sem intervenções. O segundo foi mais atencioso, ministrou uma aula sobre o parto natural, mas fazia episiotomia como procedimento de rotina. Ou seja, parto natural pero no mucho.
Ao engravidar já sabia que médico procurar e fiquei feliz e aliviada quando, na primeira consulta, ele me perguntou “O que você acha se eu disser que não faço partos, quem faz é a mulher, apenas estou junto para ajudar se for preciso”, eu lhe respondi ser isto o que sempre esperei ouvir de um médico.
Na gravidez estudei bastante, li livros sobre o assunto, visitei sites, fiz yoga para gestantes, tive uma doula. Já havia aprendido algo muito importante com meus pacientes mais velhos: “É preciso fazer por onde”, o que neste caso significa: não basta querer um parto normal ou ativo, a mulher precisa trilhar o caminho, ter conhecimento sobre seu corpo, as mudanças da gravidez que o preparam para a grande hora, o que ocorre no parto, confiar em sua capacidade natural de gerar e parir um filhote humano, exercitar sua respiração, quadril e períneo, bem como ter fé, senão em Deus, então na Natureza, que há milhares de anos faz com que os bebês humanos nasçam do ventre de suas mães como tantos outros mamíferos. É preciso aprender a lição de que um parto ativo é, antes de mais nada, uma atitude mental, uma convicção interna de que é esta a forma de nascer e estamos preparadas para isso. Ouvi de uma pessoa que gosto muito – minha analista – ao lhe contar desejar um parto ativo e natural, que eu ainda não tinha percebido que este parto já tinha começado, pois minha gravidez estava sendo assim, vivida plenamente, e o parto seria a coroação deste processo.
Já na fase de enjôos pude compreender algo: o desconforto físico me comunicava uma lição fundamental, a de que ser mãe seria muito bom, mas que não seria só maravilhas, eu não deveria me iludir, pois estava sendo avisada que também teria de agüentar alguns desconfortos e chatices. Quando entendi isso, lidar com aquele enrosco no estômago foi mais tranqüilo e, como vomitei muito pouco, nem tomei medicação.
Algumas experiências foram marcantes ao final da gestação: a vinda da doula Marcelly em casa, para conversar comigo e meu marido sobre os diferentes tipos de parto e as características de um parto ativo, os cuidados como bebê, a amamentação e recomendou, a respeito do parto, “Entregue-se ao incontrolável”. E também em uma das últimas consultas obstétricas, ao conversar com o Dr. JK sobre o nascimento do bebê de uma colega da yoga, ouvi dele “Adoro parto em que não preciso fazer nada, quando a mulher faz o parto, é um empoderamento feminino”. Fiquei com isso na cabeça e me lembrei de minha avó, analfabeta mas com uma sabedoria de vida, que teve sua segunda filha apenas na companhia do filho de 2 anos, pois meu avô tinha saído para buscar a parteira.
Agora vou contar como foi o meu parto: completei 37 semanas de gestação numa sexta-feira e na madrugada da segunda para a terça tive algumas contrações, que não evoluíram. Ao clarear o dia já tinham se dissipado. Lembrei da aula que tive com a doula dias antes e compreendi que foram pródromos, um ensaio do útero para o parto. Conversei com Marcelly que me orientou a ficar atenta, descansar bastante e ligar se surgisse alguma novidade. Completei 38 semanas e no final da manhã de domingo as contrações leves voltaram, achei que eram novamente os pródromos. Li meus e-mails, fiz os cartões com a poesia que iria acompanhar as lembrancinhas, conversei ao telefone com uma amiga, tomei banho e fui almoçar com meu marido Marcelo num restaurante. Almoçando percebi que as contrações estavam ficando mais longas, freqüentes e fortes. Lembrei do que a doula havia me dito: os pródromos costumam passar com banhos quentes, e as contrações do parto irradiam para as costas. Avisei meu marido e passamos a contar as contrações a partir das 15 horas. Foi engraçado, cena de cinema: ele começou a comer muito rápido, perguntando se era hora de ir para a maternidade. Calmamente lhe respondi: “Coma tranqüilo porque isso ainda vai demorar, saindo daqui vamos à farmácia que quero comprar algumas coisas e depois ligo para Marcelly”.
Ao chegar em casa ainda estendi no varal a roupa que tinha lavado e, às 17h telefonei para a doula. Ela disse ter grande chance de passarmos a madrugada na maternidade, sugerindo que eu tentasse dormir e ligasse dali 3 horas. Foi o que fiz. Marcelo estava atento e a postos, e também tranqüilo porque, com a doula, ele sabia que não precisava pensar quando tinha de ir ao hospital: assistiu ao jogo de futebol e ainda um pouco dos programas esportivos. Às 22h Marcelly veio para minha casa e minha mãe já tinha vindo também. As contrações estavam mais fortes e eu agachava ou ficava de cócoras, pois isso me aliviava. Todos se alternavam para massagear minha lombar durante a contração, o que era bastante reconfortante. A doula recomendou que eu comesse um lanche para estar bem disposta para o trabalho de parto, foi o que fiz. À meia noite disse para Marcelly que queria ir logo para a maternidade pois sentia que ali não conseguiria relaxar (moro no ABC e a maternidade era em São Paulo, por isso minha preocupação com o trajeto). Ela me sugeriu que tentasse ficar mais um tempo em casa, ir para o chuveiro, entendi o que ela me sugeria, pois sabia que quanto próximo do parto chegasse ao hospital, melhor. Mas sabia, pelo meu corpo, que precisava me sentir livre e despreocupada para me entregar ao parto.

Bem, fomos ao hospital, Marcelly dirigiu o carro e Marcelo foi no banco de trás comigo, sempre que vinha uma contração eu sentava de joelhos no banco, voltada para trás, e ele massageava minhas costas. O exame de admissão aconteceu perto da 1h da manhã, as contrações eram moderadas e eu estava apenas com um dedo e meio de dilatação. Após mais de sete horas tendo contrações, quantos médicos vocês conhecem que já partiriam para uma cesárea? Ou então mandariam a mulher de volta para casa? Pois bem, Dr. JK pediu para fazer minha internação no quarto e que eu tomasse uma injeção de buscopan, pois aliviaria as dores e não interferia no ritmo do trabalho de parto.
É incrível como somente a mulher sabe o que está acontecendo e o que é melhor para si. A doula foi para casa e fiquei no quarto com meu marido e minha mãe. Pouco antes das 4h a enfermeira veio ver minha dilatação e já estava com seis dedos. Na sexta-feira anterior havia estado em consulta quando o médico constatou que eu estava com um dedo de dilatação. Em quase nove horas de contrações dilatei apenas meio dedo e, em menos de três horas dilatei quatro dedos e meio. Ao me sentir segura pude me entregar para o parto e viver esta grande loucura. A enfermeira ligou para o médico e meu marido avisou a doula, que logo chegou.
Na sala de parto a enfermeira perguntou se eu desejava ir para a banheira, ao que aceitei prontamente. Sempre gostei de água e sentia que seria bom estar imersa nela. Das 4h às 6:30h cheguei em dez dedos de dilatação. Este período para mim foi meio confuso pois a memória é toda enevoada: vocalizava nas contrações, quase que cantando relaxadamente, como um mantra, para contrabalançar com as forças vindas do útero. A doula e meu marido estavam sempre juntos de mim, tranqüilos, fazendo massagem nos meus ombros ou pés entre as contrações, quando às vezes eu dormia e sonhava.


Segurava (entenda-se: apertava) as mãos de meu marido nas contrações; sua presença, força e calma foram fundamentais para mim a todo momento. Em certa hora ajoelhei, debruçada na borda da banheira, e agradeci a Deus por sua proteção durante toda a gravidez, pedi que continuasse ali, nos protegendo e abençoando. Meu marido fez o Sinal da Cruz em minha testa. Foi algo muito poderoso.

Saindo desse transe transcendental, comecei a ficar com sede e tomar Gatorade foi ótimo. Dei uma bronca no médico, gritando para Marcelly “Cadê o JK que não chega?” Engraçado, ele já estava na sala ao lado. Bem, quando fiquei com sede e brava soube que estava entrando no período expulsivo, cheia de adrenalina. JK ouviu o coração de Lavínia que estava bom e fez o toque, perguntei se eu poderia sentir também, ele aprovou e eu pude tocar a bolsa, que minutos depois se rompeu. Sabe quando a gente era criança e fazia guerra de bexiga cheia d’água e ela estourava ‘puft’? Então, foi isso que senti, só que vindo de dentro de mim. Líquido transparente, sinal de que tudo estava correndo bem. Fiz o toque em mim também e senti na ponta do dedo que Lavinia era cabeludinha.
Para algumas mulheres este período é mais rápido, para outras mais lento. Meu período expulsivo durou duas horas e depois entendi o motivo: era a parte que eu tinha mais medo. Bem, nele eu gritei bastante, berro tipo montanha-russa e o bom foi que ninguém ficou constrangido ou com dó de mim. Meu marido, solidário e atencioso até disse “Me avisa se não tiver agüentando mais”, esta frase não fez o menor sentido para mim. O clima era de descontração entre as contrações. Numa delas eu gritei, a plenos pulmões “Puuuuutaaaaa que pariiiiiiiiiiiiiiuuuu” depois brinquei “Não sou puta, mas tô parindo” e todos rimos juntos. Até o Dr. JK fez uma brincadeira e depois explicou ao meu marido “Só estou brincando porque está tudo bem, se não, eu estaria sério”.
Ah, e meu marido não escapou de uma bronca, coitado. Ele já estava há horas acordado de madrugada, sem comer e sentado num banquinho. Durante uma contração do expulsivo eu o procurei no banco e não o achei, ele estava em pé ao lado, eu só conseguia enxergar suas pernas, tal como nos desenhos animados, tipo a empregada do Tom e Jerry ou a Babá dos Muppets Baby. Sinalizei com a mão para ele ir ao banquinho, ele se posicionou na frente, em pé. Fiz com a mão gesto para que ele se sentasse. Ele não sentou pois não havia entendido. Passada a contração falei, bem brava “Eu sei que você está cansado, mas acredite, eu estou mais que você!!!” Ô dó, o que os homens têm de agüentar nessas horas! Refletindo sobre este momento, entendo que meu estado de entrega ao parto era tamanha que eu já havia perdido a capacidade de perceber o mundo ao meu redor como um todo. Minha visão e minha apercepção (maneira como subjetivamente se apreende os estímulos externos) estavam completamente fragmentadas, por isso não consegui simplesmente olhar mais para o alto para encontrar o rosto de Marcelo. Este estado de coisas é similar a uma experiência psicótica, ou seja, a um momento de loucura. E faz todo o sentido as drogas naturais do corpo liberadas neste momento ajudarem a criar este transe. De que importa para a mulher que está parindo o mundo lá fora se todo o mundo é sentido como estando dentro dela? Sinto que tudo o que há de valor no universo estava dentro de mim naquele momento: minha filha estava se esforçando, trabalhando para nascer, ali, junto a mim. Por isso me brotou na cabeça a frase “É preciso enlouquecer para parir”.
Neste estado de loucura o Dr. JK disse poucas, precisas e preciosas frases. A primeira foi um aviso, uma preparação: “Olha, você vai sentir uma dor que vai achar que vai rachar no meio, não se preocupe, é assim mesmo”. Ele me disse com tanto carinho, com tanta cautela que fiquei olhando… Sabe quando a gente se apaixona por alguém e nem ouve direito o que ela fala, só ficamos olhando com muita ternura? Pois bem, neste momento beijei sua bochecha com todo meu coração, muito grata pelo seu zelo.

Passado este momento, vinha acompanhando pelo toque a descida lenta de Lavínia e pensei “Por que será que ela não está nascendo? Será que estou preparada para ter um bebê em meus braços, fora da barriga?” Pensei, senti, me entreguei: eu estava vestindo um top o tempo todo, então o tirei e disse para mim mesma “Sim, eu quero um bebê nos meus braços, mamando em meus seios”. Eu estava muito na horizontal, submersa na água. A doula e meu marido já haviam sugerido fazia um tempo, que eu ficasse de pé, no chuveiro. Resisti, então Dr. JK avisou que estava dando duas horas de expulsivo e talvez fosse bom pensar em sair da água, ir para a cama. Rapidamente fiquei em pé, no chuveiro, eu é que não queria sair da água pois, além de estar gostoso ali, achava que era a forma mais suave de Lavínia fazer a transição do útero para a vida aqui fora, bem como achava que preservaria mais o períneo. Dr. JK me orientou a fazer uma respiração em que eu fazia força e disse a outra frase precisa “É isso mesmo, você está indo bem”. Quando fiquei na vertical lamentei que naquela posição eu não conseguiria pegar o bebê e Dr. JK falou que o pai pegaria, então meu marido brincou “E se eu frangar?” Todos rimos. Pouco antes de Lavínia coroar o médico me guiou “Você pode achar que não vai conseguir, mas vai, está indo tudo certo”.

Eu ficava em pé, segurando numa barra enquanto a água do chuveiro descia sobre minhas costas. Então, na contração eu empurrava e vinha descendo até a banheira, me soltava e aí meu marido me segurava pelos ombros. Numa destas a cabeça de Lavínia começou a sair, mais uma contração e saiu. Dr. JK sugeriu que eu fizesse mais um pouco de força para nascer o ombro. Então todo seu corpinho nasceu, ele a pegou e trouxe rapidamente para meu colo. Indescritível o poder desta experiência. Eu a tomei em meus braços e gentilmente lhe disse: “Então era você que estava aí dentro? Tava gostoso? Não queria largar o bem-bom da barriginha da mamãe?” Eu, mamãe, com L. em meu colo, o papai atrás de mim, acolhendo a ambas. Lavínia deu três choramingos, não berrou nem se assustou, em meu colo, ouvindo meu coração – ritmo tão conhecido para ela – sentindo meu cheiro, minha pele, no vai-e-vem da minha respiração, Lavínia ficou quieta, aninhada no único lugar que ela deveria estar neste primeiro momento de vida.

Lavínia nasceu com o olho aberto, como todos os bebês que nascem na água, no trajeto de minha barriga para meu colo seu olhar encontrou o do pai. Ele foi a primeira pessoa que ela viu na vida. Fiquei muito feliz de meu marido ter esta exclusividade, um momento apenas dos dois.
Após uns cinco minutos desta magia, deste momento eternizado, Dr. JK sugeriu que eu fizesse força para expelir a placenta. Empurrei e foi muito suave, após a saída de um bebê a placenta parecia um algodão doce, afinal não tinha osso nenhum. Então Marcelo, agora pai, cortou o cordão umbilical, que estava intacto, fornecendo suprimento extra de oxigênio. Meu marido ficou com nossa bebê quando ela foi para o berço térmico enquanto eu me levantei para passar uma água no corpo. Estava me sentindo tão disposta que pedi xampu para lavar os cabelos. Obviamente que não me deram e sugeriram que eu fosse logo para a cama. Lá o Dr. JK me examinou e disse “períneo íntegro, nenhuma laceração”. Que felicidade! Posso afirmar que até hoje em minha vida não tenho a cicatriz de nenhum ponto, mesmo depois de um parto.
Dra. Sr, a pediatra humanizada da equipe (que é a médica da Lavínia atualmente) a trouxe em meus braços para mamar. Que bonitinha mamando, tão nova e já sabia o que fazer. O nascimento foi às 8:30 da manhã e ficamos juntos até às 10h, quando Lavínia adormeceu. Minha filha não foi importunada com colírios nem injeções: não recebeu colírio de nitrato de prata pois eu não tenho gonorréia, a vitamina K foi dada em três doses orais ao invés de uma injeção, e sua tipagem sangüínea foi feita pelo sangue do cordão umbilical. Tudo foi feito com muito respeito pela nova habitante deste mundo, fomos todos bons anfitriões da vida.
Depois de todo o trabalho de parto, de tantas contrações, eu não conseguia me recordar delas, meu corpo e minha mente não têm memória das contrações. Não saberia descrever como começa e como termina uma contração. O médico depois me contou serem os hormônios do parto amnésicos. Senti-me ativa, disposta e disponível para minha filha o tempo todo. Paguei à vista, não tive nenhuma prestação com a dor depois. Até o termo dor eu questiono, pois não é sofrimento e sim uma força tão grande que me fez gemer.
Se alguém me perguntar quem fez o parto de minha filha posso dizer, com muito orgulho: fui eu, ajudada por pessoas importantes, meu marido, meu médico, minha doula.
Lavínia está se desenvolvendo muito bem, é tranqüila, segura, alegre, risonha, mama exclusivamente ao peito em livre demanda, não sabe o que é chupeta, toma banho de balde e passeia de sling por todos os lugares. E a chegada dela em nossas vidas nos tornou, a mim e a meu marido, mais cúmplices e enriquecidos. A escolha por este tipo de parto não é uma escolha qualquer, como escrevi anteriormente, acredito que é preciso fazer por onde. Esta é uma opção de gestação, de parto, de criar um filho e de ser pais. Nunca me senti insegura como mãe, tenho dúvidas, afinal elas fazem parte de uma possibilidade de reflexão. Assim como fui capaz de gestar e trazer à luz minha bebê, sei que saberei como cuidar dela.
E tem mais um ponto importante para finalizar o relato de minha experiência e descobertas: a pediatra solicitou que minha bebê ficasse apenas 1 hora no berçário ao invés das tradicionais 6 horas. Passadas duas horas e meia que L. estava longe de mim, liguei no berçário e avisaram que iriam ficar com ela por mais um tempo, na hora falei: “Tive minha filha num parto natural sem anestesia e não fiz isso para ficar longe dela, não terei qualquer problema em ir aí buscá-la!”. Rapidamente a trouxeram para mim e aí vem o moral da estória (sim, a extinta palavra estória e não história): NUNCA, MAS NUNCA MESMO, DUVIDEM DE UMA MULHER QUE MERGULHOU NA LOUCURA PARA TRAZER A VIDA DE SEU PRÓPRIO FILHO À TONA.
Yoga e o parto
A pratica do yoga busca a conexão consigo mesmo, auto-conhecimento, um olhar para dentro… tudo que precisamos durante a gestação e o parto. Sobre os aspectos físicos, alivio de dores musculares e desconfortos respiratórios são alguns dos benefícios que podemos citar da pratica de yoga durante a gestação. Entretanto, os benefícios não se limitam a gestação. Ao longo das aulas a mulher tem a oportunidade de conhecer algumas posições ou movimentos que podem auxiliar muito durante as contrações e o parto em si. Na verdade toda gestante que fica livre para se movimentar durante o trabalho de parto busca por si só movimentos que a deixem mais confortável. Porem o contato com o yoga traz um repertório de posturas que ela “acessa” com mais facilidade durante o processo, ou seja, é como se ela ja soubesse o que precisa fazer com o corpo para aliviar a intensidade das contrações. Essa segurança física, de saber o que fazer, traz um conforto psicológico e emocional. Ela se sente mais confiante para enfrentar a jornada de um trabalho de parto. Além dos asanas (posturas) o yoga tem outra ferramenta valiosa que são os pranayamas. Falando resumidamente, são exercícios respiratórios que ajudam o yogue a controlar a mente. Conhecer sua própria respiração e saber como mante-la tranquila faz toda diferença na hora do parto. Quando conseguimos respirar calma e profundamente alcançamos aquele contato com nosso corpo, nossa mente e nosso momento. Controlando a respiração também conseguimos conter a tensão e o medo, que são fatores que aumentam, literalmente, a dor durante o trabalho de parto. Assim é possível parir com mais facilidade. Conseguimos nos soltar para deixar fluir, sem controlar, sem ansiar. Toda mulher sabe parir, seu corpo foi desenhado para isso. Basta que ao longo da gravidez essa mulher tenha certeza disso e pratique muito yoga
“Enquanto a respiração (prana) for irregular, a mente permanecerá instável…” Hatha Yoga Pradipika.
Curso Parto Ativo com Janet Balaskas
Nesse último final de semana aconteceu o primeiro módulo do curso de formação profissional em Parto Ativo de Janet Balaskas, em Curitiba -PR. Janet é educadora perinatal (saúde na gravidez, parto e pós-parto) e fundadora do movimento internacional pelo Parto Ativo. Há mais de 30 anos envolvida com a humanização do parto, seu trabalho é uma referência para mulheres que buscam uma transformação na maneira de parir e profissionais que acreditam que a assistência ao parto pode ser mais humana e digna.
Um curso inesquecível, com muitas vivências e sensações. Passamos três dias envolvidas com a delicadeza e maneira sutil de abordar um tema complexos e carregado de tabus. Na minha opnião o que marcou foi exatamente essa abordagem. Além disso um curso muito bem organizado pela equipe do Espaço Aoba e traduzido pela querida Talia. Foi muito bom poder participar!
Apoio ao curso de obstetrícia da USP
O curso de obstetrícia da USP esta ameaçado de ser extinto. No último sábado aconteceu uma manifestação muito bacana no Masp. Todos os esforços são validos para tentar impedir o fechamento. Quem quiser entender um pouco melhor, tem um texto da Ana Cris (obstetriz) que vale a pena ler:
Nesse texto tem o link para o abaixo assinado e outras notícias sobre a manifestação.
Abaixo divulgo a carta aberta da Parto do Princípio encaminhada à administração da USP, COFEN e COREN.
Contra o fechamento do Curso de Obstetrícia da USP Leste
“Nós, da Parto do Princípio, vimos por meio desta manifestar o nosso pleno apoioàs ações pela manutenção do Curso de Obstetrícia da USP Leste. A Parto do Princípio é uma rede de mulheres, consumidoras e usuárias dosistema de saúde, que oferece informações sobre gestação e parto baseadas emevidências científicas e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Contamos hoje com mais de 200 pessoas trabalhando voluntariamente, em 21Estados do Brasil, na divulgação dos benefícios do parto ativo e dos riscos de cesarianas desnecessárias.
Acreditamos que a mulher deve ser a protagonista de sua história e, assim, deveter poder de decisão sobre seu corpo e liberdade de movimentos e de escolhas paradar à luz. Para tanto, no pré-natal, no parto e no pós-parto, a mulher precisa estaracompanhada por profissionais que, acima de tudo, estejam comprometidos com afisiologia do nascimento e que respeitem a gestação, o parto e a amamentação comoprocessos naturais e instintivos. Nesse sentido, foi com muita alegria que em 2005 acompanhamos a abertura do curso de Obstetrícia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no campus da Universidade de São Paulo conhecido como USP Leste.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obstetriz com formação denível superior representa boa estratégia para promover atenção adequada ao parto enascimento. Essa profissional é capacitada para prestar assistência a gestações epartos de baixo risco e é bastante solicitada em muitos países desenvolvidos. No Brasil,seu papel é ainda mais relevante, diante das elevadas taxas de morbi-mortalidadematerna e neonatal. Cabe lembrar que, a despeito dos avanços realizados na área da saúde, tanto o Estado de São Paulo como o país estão muito distantes de alcançar o Objetivo do Desenvolvimento do Milênio de número cinco, relativo à melhoria da saúde materna. Extinguir o curso de Obstetrícia é um retrocesso e constitui desrespeito a toda a sociedade, na medida em que representa a manutenção do atual sistema deassistência, que apresenta elevada cobertura hospitalar, porém, resultados perinatais insatisfatórios.
Esperávamos que o Grupo de Trabalho para “Estudo das Potencialidades,Revisão e Remanejamento de Vagas nos Cursos de Graduação da Escola de Artes,Ciências e Humanidades da USP” considerasse as evidências científicas sobre o parto e o nascimento e as experiências de outros países com bons indicadores de saúdematerno-infantil. Contudo, cientes do conteúdo do relatório final do Grupo deTrabalho, observamos que os “problemas” apontados (destacados a seguir) não se sustentam.
[...] problemas com os quais o curso convive e que impactam fortemente seufuncionamento:
• O excesso de cesarianas que atingem principalmente os hospitais quecompõem o sistema de saúde suplementar (considerados hospitais privados), ondeem alguns deles as taxas de cesáreas atingem valores da ordem de 97%, indicadorconsiderado ruim, pela OMS;
• A capacitação dos profissionais médicos para a realização de cesariana emdetrimento de parto normal devido a múltiplos fatores (culturais, organizacionais, dequalidade de vida do profissional, econômica e outras);
A OMS recomenda que os partos cesarianos não ultrapassem 15% dosnascimentos. Assim, se os hospitais privados exibem valores da ordem de 97% decesáreas, trata-se de um dado alarmante, que demanda intervenção imediata. A formação médica focada na cesariana torna o quadro ainda mais preocupante. Diantedisso, seria apropriado que as políticas públicas favorecessem e promovessem aatuação de profissionais aptos a prestar assistência adequada ao parto normal.
• A lógica cultural vigente, adquirida pela população nas últimas décadas, afavor da cesariana, pois existe a crença que este procedimento oferece maiorsegurança. A mudança desta lógica necessitará de muito tempo e intervenções adequadas;
Diante da crença infundada de que a cesariana oferece maior segurança, seriaadequado formar mais profissionais aptos a desmistificar o senso comum. Valelembrar que a “lógica cultural vigente” é construída e realimentada diariamente combase nas experiências pessoais. Assim, para modificar tal “lógica cultural”, é precisooferecer experiências diversas das que são possíveis atualmente.
• A dificuldade de capacitação dos profissionais envolvidos com esta áreadevido à queda da natalidade;
Apesar da queda da natalidade, o modelo intervencionista vigente na assistênciaao parto continua agredindo a saúde de mães e bebês. Ainda faltam profissionaiscapacitados para a assistência adequada ao parto normal. De acordo com o relatóriode fevereiro de 2011 da Fundação Seade, um terço dos óbitos perinatais ocorridos em2009 no Estado de São Paulo foi classificado como mortes reduzíveis com adequadaatenção ao parto, 15,7% como mortes reduzíveis com adequado controle na gravidez,14,2% como mortes reduzíveis com diagnóstico e tratamento precoces. Diante dessecenário, profissionais formados pelo curso de Obstetrícia têm papel fundamental eurgente não só no Estado de São Paulo, como em todo o país.
• A “judicialização” da medicina onde, se algo não desejável acontecer nomomento do parto, o questionamento dos familiares envolvidos é sempre comrelação ao porque a não indicação de cesariana e a busca por ações judiciais para responsabilização dos profissionais e instituições envolvidos.
A solução para a judicialização da medicina não reside na extinção de umacarreira acadêmica. Entendemos que todo profissional de saúde deve garantir asegurança das pessoas que atende e, para tanto, suas práticas devem estar embasadasnas melhores evidências científicas disponíveis. Além disso, consideramos que todoprofissional de saúde deve ser capacitado para dialogar e ouvir as demandas das pessoas que atende.
No caso da assistência ao parto, é urgente que se estabeleça talrelação dialógica, em que a mulher e seu acompanhante recebam informações claras eacessíveis a respeito do ciclo gravídico-puerperal. Para os casos em que intervençõesmédicas sejam necessárias, a mulher e seu acompanhante devem igualmente receberinformações claras sobre a natureza do procedimento e devem emitir seuconsentimento livremente. Sobre a aceitação dos alunos egressos pelos Conselhos de Enfermagem, existemdecisões judiciais sobre essa questão.
Não cabe ao COREN, COFEN, ou USP oposicionamento contra tais decisões. Tais entidades tampouco podem se recusar aacatar decisões da Justiça Brasileira.Diante de todo o exposto, resta lamentar a falta de critério do Grupo deTrabalho, que redigiu seu relatório com base no senso comum e ignorou evidênciascientíficas, experiências bem-sucedidas no exterior, recomendações da OMS,relatórios demográficos do Estado de São Paulo e o compromisso social dauniversidade.
A sociedade brasileira necessita urgentemente de melhorias na assistência àsaúde materna, no sentido da humanização do parto e nascimento. Entendemos queas profissionais formadas no curso de Obstetrícia da USP Leste representam boa partedessa demanda por melhorias. Deixamos aqui nosso apoio à continuidade do Curso deObstetrícia da USP Leste, assim como de seu vestibular anual, com esperanças de queem pouco tempo essa seja também uma realidade de muitas universidades públicas eprivadas de nosso país.”
Nascimento do Rafinha da Clodine (22/06/2010)
Esse é o relato da Clodine. Rafael nasceu de parto natural hospitalar. Nas palavras dela, seu relato de parto:
Chamo-me Clodine, sou psicóloga humanista transpessoal. Tenho 27 anos e sou casada há 5. Eu e meu marido Miguel Planejávamos ter filhos após 5 anos de relacionamento e, como encomendado, recebemos em nossos braços o bebê Rafinha, nosso anjo amado, em 22 de junho de 2010, de parto natural.
Relatar a experiência de um parto, é como mergulhar num oceano de sentimentos, imagens e lembranças difusas, intensas e etéreas como aquelas que se tem numa ressaca depois de uma noitada daquelas. Terei feito algo de que possa me envergonhar? Será que os demais participantes do festejo serão bons guardiões dos fragmentos de lembrança que faltam em minha memória? Serei julgada por ter feito algo muito extravagante?
Uma vida brotou de mim. Dei a luz. Pari um filho.
Que extravagância!
Gritei, gemi, sangrei, me consolei, fiquei completamente nua com meu marido de sunga dentro do box de 1,5 x 1,5m da sala de pré-parto da maternidade São Luiz e lá pari meu filho. Rafael nasceu de parto natural, de cócoras, no box, às 5h52, com 3,865 kg e 50,5 cm.
Era uma segunda-feira e eu estava com 38 semanas de gestação e seis dias. Havia uma semana estava sentindo contrações de Braxton fortes e naquele dia elas estavam especialmente intensas, mas nada alarmante, afinal de contas para mim ainda eram apenas Braxton e Rafael ainda poderia levar mais três semanas para nascer (eu tinha pacientes agendados no consultório por mais duas semanas).
Às 18h30 as dores semelhantes às de cólica menstrual passaram a irradiar das costas, mas mesmo assim pensei que o trabalho de parto podia vir a engrenar somente depois de alguns dias. Para tirar quaisquer dúvidas, por volta de 21h30 desejei conversar pela internet com minha doula e foi neste momento que as sincronicidades (coincidências que não são mero acaso) começaram a ocorrer. Lá estava ela no bate-papo do gmail.
Resumindo a conversa que tivemos:
- Má, será que devo desmarcar os pacientes de quarta?
- Calma Clô, devem ser os pródromos, mas pode ser que desacelere. Conte as contrações e verifique se se mantém regulares. Tente se alimentar e descansar. Vou dormir, qualquer coisa me liga.
Saiu o tampão. “Meu Deus, agora não tem mais volta”
Não queria dar alarme falso, nem deixar ninguém preocupado desnecessariamente, mas naquele instante, independente do que estivesse por vir, queria companhia. Liguei para meu marido pedindo que voltasse do encontro com os amigos ao qual eu mesma o havia incentivado a ir. Chegou por volta de 22h20.
Fizemos bolo, arrumamos as malas para a maternidade, meditei, orei e conversei com o bebe – tudo nos intervalos de três minutos, em que me sentia maravilhosamente bem, entre as contrações (eu corria para fazer tudo o que conseguisse nesses três minutos e no minuto seguinte me atirava no chão onde estivesse, até passar a contração e recomeçar a arrumação). Tentei deitar, mas isso fez com que as dores piorassem.
Por volta de 2h30 da madrugada pedi que meu marido chamasse a Marcelly (doula) enquanto eu entrava na ducha. Quando vinha uma onda de contração eu ficava de joelhos, com as mãos apoiadas no chão e com a cabeça no colo do Miguel, que estava sentado do lado de fora, me fazendo massagem nas costas. Quando a Marcelly chegou, nos ajudou a contar as contrações e nos orientou quanto ao tão esperado momento de ir ao hospital, que indicava que a vinda do Rafinha estava cada vez mais próxima! Era 4h30.
Tive três contrações no carro, de joelhos no banco de trás, abraçando o encosto de cabeça. Apesar do incômodo do deslocamento, foi muito bom poder soltar o grito sem preocupação de ser ouvida, por ser madrugada e as ruas estarem vazias. No hall de entrada, a espera pela admissão foi bastante desagradável, pois estava tendo as contrações de pé e quando emitia vocalizações algumas pessoas me olhavam de forma invasiva, por isso procurei um canto de corredor onde sentia ter um pouco mais de privacidade.
Segunda sincronicidade: a AC, parteira que eu havia escolhido para compor a equipe junto à Marcelly, o Dr JK e o neonatologista D, estava atendendo a um parto domiciliar. A parturiente precisou de anestesia, sendo levada ao Hospital São Camilo, que estava lotado, e, por isso, foi redirecionada ao São Luis, onde eu havia acabado de chegar! Logo a AC veio me salvar do sofrimento no hall e me examinou numa salinha, concluindo que eu já estava com sete para oito centímetros de dilatação e que o trabalho de parto estava avançando rápido. As enfermeiras colocaram um acesso em minha mão esquerda para que fosse ministrado o antibiótico para a profilaxia de strepto B que havia dado positivo. Andar pendurada no carrinho que pingava o antibiótico e ficar com aquela agulha de plástico na mão foi o que mais me incomodou depois da espera no hall.
Terceira sincronicidade: o pediatra D não foi localizado no dia do parto e quem acabou cuidando do Rafinha foi a neonatologista AP, que estava junto com a AC atendendo ao outro parto. Ela foi excelente, ajudando com a pega, logo após o parto, e fazendo visitas nos dias subseqüentes. Durante o trabalho de parto não queria mais homens presentes além de meu marido. A pediatra ter sido uma mulher foi outra coisa providencial.
A quarta e última sincronicidade foi o fato de as duas salas de parto humanizado (Labor Delivery Room) estarem ocupadas. Fiquei numa salinha de pré-parto que foi a melhor coisa, pois tinha tudo o que eu precisava: uma boa ducha – reproduzindo o ambiente de casa.
Logo que entrei na sala já fui tirando a roupa e entrando no chuveiro. Meu marido ficou de sunga sentado numa banquetinha dentro do box comigo. Fiquei com os olhos fechados quase todo o tempo. Via apenas a Marcelly agachada do lado de fora, me incentivando. Eu de joelhos no chão, de costas para meu marido, com as mãos também apoiadas no chão e às vezes no azulejo da parede, mentalizando que me abria para dar passagem ao bebê, fazendo vocalizações e procurando soltar o ar e relaxar a musculatura do maxilar para que o efeito se estendesse ao períneo – técnicas que aprendi através de leituras, aulas de yoga e fisioterapia pélvica, e que treinei com massagens de períneo e usando um aparelho chamado epi-no.
Num determinado momento a dor parecia tomar conta de meu corpo e meu desejo era que alguém me salvasse ou me tirasse dali. Xinguei umas duas vezes dizendo: “que droga!” e quando a contração passava eu conversava comigo mesma e com o bebê, explicando para ele como seria seu nascimento e nos incentivando: “vamos, nós vamos conseguir”. Não sabia mais quanto tempo ia durar, mas a doula já havia me contado que quando agente quer desistir é porque está na fase de transição.
Logo comecei a sentir vontade de fazer força e urrar. Apoiei minhas axilas nas coxas de meu marido e entrelacei meus dedos nos seus, apertando sua mão com muita força. Acreditava que estávamos nós três apenas no quarto, que o Dr JK não havia chegado ainda e que a AC estava atendendo o outro parto. Achava que a Marcelly iria fazer seu primeiro parto porque o bebê estava vindo!
Já não sentia exatamente dor, mas uma força tremenda que vinha das entranhas. Me coloquei de cócoras instintivamente ou porque meu corpo me pediu ou porque era a única posição viável naquele momento. Fiz um auto-exame de toque e senti a cabecinha do Rafael a duas falanges do indicador de começar a coroar. Mais umas duas forças e senti sua cabecinha bem molinha coroando. Neste momento surge o Dr JK, que na realidade estava acompanhando tudo junto à AC de fora do banheiro, se acocora ao meu lado e dá sua contribuição pontual e essencial. Conta que vai verificar se há alguma circular do cordão e pergunta se quero sentir a cabeça do bebê descendo. Digo que não, encosto minha mão em seu braço: “Cuida dele” e volto a fechar os olhos.
Nasceu o Rafael!!
Horário oficial, 5h52. Primeiro saiu a cabeça e depois o corpo. Foi envolvido em uma toalha e entregue para mim. Ficamos nos olhando, ali, sentada no chão do box, enquanto meu marido cortava o cordão umbilical. Achei que toda essa etapa hospitalar do trabalho de parto tinha levado umas três horas, mas na realidade não passou de uma hora!
Pediram-me para levantar do banheiro e deitar na maca para a dequitação da placenta. Eu não queria me mover porque temia sentir dor e não sabia se podia confiar em meu corpo depois de ter corrido aquela meia maratona. Duas respirações, duas forças e a placenta saiu. Me avaliaram e concluíram que não tive nenhuma laceração. Com o Rafinha de volta ao colo, contamos com a ajuda da Dra AP para o sucesso da pega. Ela ensinou a fazer uma pinça com bico do ceio que é básica. E assim ficamos, eu com o bebê no colo sobre a maca, e meu marido sentado numa cadeira ao lado, das 6 da manhã às 15h30, quando uma suíte foi finalmente liberada, ou seja, nosso bebê só foi levado ao berçário central depois de sete horas. Junto à enfermeira responsável do hospital, que foi muito solidária, a equipe conseguiu garantir que eu não fosse removida para o centro cirúrgico (já que as salas de delivery estavam ocupadas) e pude permanecer na sala de pré-parto.
Agradeço às forças do universo que contribuíram sincronicamente para que tudo corresse da melhor forma possível! E agradeço a cada um dos que participaram deste evento tão especial em minha vida e que o tornaram possível de ser vivido de forma plena através de suas atuações perfeitas.
Hoje posso olhar nos olhos de meu filho e ver a luzinha que brilha neles refletindo o infinito!
Nascimento da Olívia (13/11/2008)
Um dia antes
Quarta-feira 12 de novembro, eu estava tão feliz com a chegada da bebéia da Carol, minha querida amiga que foi guerreira, lutou por um parto digno, agüentou firme (em casa) os pródomos e trabalho de parto irregular desde a madrugada de segunda e chegou ao hospital em fase ativa, com seis dedos de dilatação, teve sua pequena de parto normal, sem anestesia, com os plantonistas, provando que era possível assumir seu parto e receber sua neném de forma digna mesmo sem estar acompanhada de um médico disposto a ajudá-la. Eu e a Carol fizemos tudo juntas durante a gestação inteira, enjoamos, treinamos, dividimos dúvidas, expectativas, conhecemos o Gama, trocamos milhares de informações… era tanto que eu brincava que elas iriam combinar de nascerem juntas. Enfim, voltando à quarta-feira, tive que fazer um esforço enorme pra não sair correndo pro hospital para visitá-las, mas me segurei, pois sabia que ela estava cansada e ia receber um monte de visitas. Fui dar aula a noite e na volta resolvi parar no mercado pra comprar os últimos itens pro PD, no caminho, em plena marginal, tive uma contração. Uma sensação estranha que começou na parte baixa do abdômen e foi percorrendo até a lombar deixando as pernas ligeiramente adormecidas, durou alguns segundos e passou. Comprei o que tinha pra comprar no mercado, fui jantar na casa da minha mãe e estava tão certa que ainda faltava umas duas semanas pra acontecer que até esqueci de comentar com ela sobre a contração. Fui pra casa, arrumei minhas coisas pois tinha consulta com a Dra. CC e queria visitar a Carol logo pela manhã, estava ansiosa pra conhecer o rostinho da neném e saber, com detalhes, como tinha sido.
O começo
As 3:15 da manhã acordei com dor, fui ao banheiro, voltei pra cama, não consegui dormir. Fiquei tentando achar uma posição, mas não achei nenhuma que fosse confortável, fui de novo ao banheiro, voltei pra cama, continuava desconfortável, levantei. Talvez por causa do sono eu não conseguia entender muito bem o desconforto, sabia que o que senti no carro tinha sida uma contração mas, de verdade, achava que estava longe de entrar em trabalho de parto. Sentei no sofá, me senti melhor, liguei a TV mas não assisti nada, comecei a pensar na Carol e na sua bebê, adormeci sentada. As 4:20 a bolsa estourou, mas só percebi quando já tinha molhado todo o sofá, fui pro banheiro, fiquei olhando a água escorrer pelas pernas e pensei: “Mas já? Hoje ainda é dia 13.” Desde o início eu preparei meu psicológico para o final do mês e mesmo com a DPP para 09 de novembro eu falava pra todo mundo que ainda estava de 39 semanas. Voltei pro sofá e dessa vez deitei e tentei dormir um pouco e descansar pois sabia que podia ser só o começo de uma longa jornada. Não consegui dormir e não consegui ficar deitada, era extremamente desconfortável. Sentei na bola (daquelas de fisioterapia) fiz uns exercícios pra relaxar…
Será que tinha mesmo chegado à hora? Será que eu estava preparada? Será que eu ia dar conta do recado? Por um momento bateu um medo e uma insegurança que até então eu não tinha sentido. Eu li, pesquisei, ouvi e assisti tudo que eu pude sobre parto, me preparei durante nove meses, comecei a lembrar das reuniões do Gama, das conversas da lista, dos relatos de parto, das conversas como a CC e do sorriso contagiante dela. Me lembrei também da voz calma da CB e acalmei, sabia que tinha do meu lado pessoas que me ajudariam e me apoiariam. Acho que sim, estava preparada, se é que se pode dizer isso. Me sentia preparada pra aceitar o processo, pra me deixar levar e pra viver a experiência mais intensa de toda a minha vida.
TP engrenando
As dores começaram aumentar e as 7:00 acordei o Dé porque estava com fome e sabia que precisaria de energia pra agüentar as próximas horas. Lembro dele com uma carinha de sono sorrindo e dizendo “chegou a hora baixinha?” Me deu uma vontade chorar de felicidade. Ele levantou preparou um café e a partir daí as dores já estavam bem mais fortes. Comi mamão e torradas com manteiga. Opa! O negócio ta aumentando. Fui pro chuveiro, que delícia a água quente caindo na lombar. O Dé ligou pra CC que deu algumas instruções e pediu pra ele ligar pra CB quando as contrações estivessem mais regulares. Sai do chuveiro, voltei pro sofá. A contração vinha e ele fazia massagem na lombar, fui mostrando pra ele onde e como ficava mais confortável. Nossa que alivio! Mais ou menos dessa hora em diante perdi a noção do tempo, não olhei mais no relógio e entrei na partolândia. Lembro dele ligando pra CB que me contou depois que soube que era hora por que me ouviu gritando no fundo..rs. As contrações aumentando, me dava vontade de fazer xixi, acabei vomitando tudo que tinha comido. De olhos fechados, lembro dele explicando pra CB o caminho de casa e dela sentando ao meu lado com aquela voz tão mansa me pedindo pra relaxar, “deixa a contração vir, relaxa”. Eu estava me sentindo totalmente apoiada com o Dé ao meu lado, mas ouvir a voz tranqüila dela me deixou ainda mais segura. O medo e a insegurança haviam desaparecido. No quarto da neném eles montaram e começaram a encher a banheira, eu de olhos fechados. Cada vez que começava uma contração ele vinha correndo na minha direção, fazia massagem, me dava a mão. CC chegou e pediu pra fazer um toque, 4 centímetros, “ta ótimo” ela disse. Eu tava loca pra cair na água. Banheira cheia, outra sensação maravilhosa. O Dé continuou de lá pra cá e sempre que vinha a contração vinha correndo me abraçar. CB teve que sair, lembro dela explicando pra ele que voltaria mais tarde e que viria alguém pra ficar no lugar dela, não achei ruim nem fiquei apreensiva, eu estava totalmente tranqüila com ele ao meu lado. Natália chegou não sei que horas, em uma das vezes que abri o olho, ainda dentro da banheira, ela estava ali ao meu lado, serena, tranqüila, e depois que o Dé falou “pode tirar foto a vontade, ela vai brigar comigo se eu não tirar nenhuma foto”..rsrs ela começou sutilmente bater fotos.
Na banheira passei calor, passei frio, mudei de posição várias vezes, ela era enorme dava pra entrar todo mundo que tava ali de uma vez só. “Caramba, faz muito tempo que estou aqui, será que já estou com 10 dedos? Devo estar, tomara, to cansada” CC apareceu e fez mais um toque, 7 pra 8 dedos “muito bom, você ta indo super bem” e eu “Ainda?!?” Resolvi sair da piscina, pendurada no pescoço do Dé fui até o banheiro, achei que queria usar, não fiz nada e não tinha vontade de fazer força. Voltei pro quarto, deitei de lado, de barriga pra cima era impossível, de lado era menos pior. Queria dormir um pouco, descansar, mas quando pensava nisso vinha outra contração. O Dé deitado comigo, me dava uma mão e com a outra fazia massagem. Deitada não consigo, preciso sentar, outra contração, banheiro… e lá ia eu pendurada no pescoço dele até sentar no vaso. O cansaço era imenso, me sentia sem forças, olhei pra ele e disse quase chorando “gatinho, não estou mais agüentando, to muito cansada”. Tenho certeza que se eu estivesse no hospital, nessa hora, teria pedido anestesia. Era a hora P, aquele momento que você pensa “não quero mais”, a hora da transição. Como num passe de mágica a CC apareceu ao meu lado, pois a mão na minha perna e disse “Querida você ta indo super bem, é assim mesmo. Se você tiver vontade de fazer força faz na cama, não tem problema se sujar.” Aquela frase e aquele olhar foi como se ela tivesse me dado uma injeção de ânimo, voltei pra cama e relaxei. Na cama comecei a sentir vontade de fazer força. Fui pra banqueta, pensei na banheira e consegui raciocinar que a água tava fria e que ia dar muito trabalho esquentar. Além do mais, não queria que ninguém saísse de perto de mim, principalmente o Dé. A vontade de fazer força foi aumentando. Espelhinho, lanterna, o quarto estava na penumbra e eu não fazia noção da hora. Natália de uma lado, CB do outro, AC também. A vontade de fazer força cada vez mais intensa e numa dessas eu me senti tonta e quase cai. CB correu na cozinha, me deu duas colheradas de mel e pronto, melhorei na hora. Mais vontade de fazer força e ela dizia “quando vier a vontade faça o máximo de força que você conseguir e depois relaxa, canaliza sua energia, é a sua bebê que ta chegando”.
O expulsivo
É a sua bebê que ta chegando. Toda vez que lembro dessa frase tenho vontade de chorar. E na hora eu simplesmente não atinava. Era real e ao mesmo tempo não era real. Quem ta chegando? Aonde? rsrs Eu estava literalmente em outro plano e sentia isso, visualizava isso, mas sinceramente não consigo explicar em palavras. Eu sentia o movimento dela dentro do canal de parto. Sentia cada milímetro de movimento dentro de mim. Sentia que ela estava descendo, chegando. De repente, “olha o cabelinho!” CC colocou o espelhinho e nós vimos o cabelo. Tenho essa imagem gravada na minha memória como uma foto. Mais força e aí uma sensação de ardência. Mais força e eu vi a cabeça. CB falava “relaxa, pensa no seu períneo”. Mais força, o círculo de fogo pegando fogo mesmo, olhei pra CC e falei “ta ardendo muito”. Mais força e ela veio. Que alívio. “Uau, como ela é grande!” pensei. Direto pros meus braços, olho arregalado, vivo. As lagrimas rolando pelo meu rosto “Oi minha querida, é a mamãe e o papai” outra imagem que tenho gravada na memória, nítida, viva. A equipe inteira saiu do quarto e ficamos nós três lá, se conhecendo, eu e ele chorando, ela olhando. Só deu um chorinho quando a pediatra pediu licença pra auscultar. Dé cortou o cordão. Foram pro banho, ele e ela e eu fui pra cama. Minha placenta demorou um pouco mas assim que a neném mamou a placenta saiu. Não tive nada de laceração. Não fiz epsiotomia. Ela nasceu às 18:14 pesando 3600Kg e medindo 49cm. Linda!
A equipe foi embora e ficamos nós três, juntinhos, eu e ele exaustos e ao mesmo tempo eufóricos. A casa envolta por aquela energia maravilhosa. A cama desarrumada, ela dormindo como um anjo, de gorrinho na cabeça, no meio do edredon que parecia um ninho. Dorme minha pequena, descansa porque muita coisa nos espera.
Agradecimentos
A AC, ao GAMA, a lista e todas essas mulheres maravilhosas que me mostraram um mundo novo.
A Carol e sua gorduchinha, vocês foram imprescindíveis no nosso processo de gestação e parto. É maravilhoso fazer parte da vida de vocês e poder dividir tantos momentos, conquistas e felicidades.
Aos meus pais pelo apoio incondicional e mesmo sem saber dos planos de parto em casa por não terem me julgado. Por serem sempre tão sutis e delicados, mesmo quando não concordam plenamente com as minhas decisões.
A equipe pelo carinho e compreensão. Por ter acreditado em mim e nos conduzido de forma tão amorosa e respeitosa.
Ao meu querido companheiro, simplesmente não tenho palavras para expressar tamanha admiração. Você foi sempre a primeira pessoa a me apoiar e acreditar. Pariu junto comigo. Foi fundamental e maravilhoso em todo o processo.
A minha neném por me proporcionar a experiência mais intensa e sublime de toda a minha vida. Por ter me escolhido como mãe. Por ter mudado minha vida e minha alma!
Mais Você apresenta o lindo trabalho das doulas
O programa da Ana Maria hoje falou sobre doulas.
Foi ótimo ter participado
O maior desejo de uma grávida é que tudo corra bem na hora do parto, não é mesmo. Isso costuma gerar muita ansiedade, principalmente nas mães de primeira viagem. Antigamente, as mulheres viviam mais próximas de suas famílias. A maioria delas fazia parto normal e esse conhecimento era passado de mãe para filha.
Como isso acontece cada vez menos, muitas mulheres que optam pelo parto normal se sentem inseguras e somente a orientação médica não acalma a ansiedade delas. É aí que entra o trabalho da doula. Você já ouviu falar? Doula é a acompanhante que ajuda a mulher na hora do parto. Dá apoio, orienta e fica ali do lado principalmente quando o parto é normal.
O acompanhamento de uma doula particular custa em média R$ 600 e existem cursos que formam estas profissionais. Nas aulas, as futuras doulas não recebem nenhuma formação específica, seja em medicina, ou psicologia. Elas simplesmente são preparadas pra identificar as dificuldades mais comuns na hora do parto e proporcionar conforto e segurança às mulheres.
Marcelly Ribeiro é professora de ioga e descobriu há dois anos a atividade de doula, por experiência própria. Contratou uma para ajudá-la na primeira gravidez e gostou tanto que resolveu se tornar uma também.
O que essas mamães de hoje estão descobrindo, na verdade não é nenhuma novidade. O papel da doula existe há milênios. Em grego, a palavra quer dizer: mulher que serve. Mas não precisa nem ir tão longe. Na nossa história mesmo, até algumas décadas atrás, a maioria das mulheres dava a luz em casa e eram as mães ou parentes das gestantes que faziam o trabalho de doula, junto com as parteiras.
Hoje, o valor desse apoio é reconhecido pelo Ministério da Saúde, que incentiva a presença de doulas voluntárias nas maternidades públicas.
Para falar mais sobre o assunto, Ana Maria conversou com a doula Maria de Lourdes Teixeira, mais conhecida como Fadynha. Ela também recebeu mães que contaram com a ajuda da doula em seus partos. “Sou uma das doulas mais antigas do Brasil. Comecei quando as grávidas começaram a pedir que eu as acompanhasse nos partos, na época em que dava aula de ioga. Foi espontâneo”, disse.
Por sua vez, a mãe Viviane Varela contou que cresceu com a ideia de que o parto normal era difícil. “Mas acabei optando por esse tipo de parto. Vi o nome da Fadynha, tive todas as informações dela e foi ótimo. Fiquei muito surpresa com a minha ignorância sobre o assunto. Havia muita coisa bonita do parto que eu não sabia. Sou grata a ela primeiramente pelas informações que recebi. O parto pode, sim, ser prazeroso”, contou.
Fadynha explicou que existem dois tipos de doula. “Existe a doula de parto e a que faz o acompanhamento somente após o parto. É bom lembrar que a doula não pode interferir no nascimento. Ela se incorpora à equipe e acompanha o processo”, explicou.
Dia Internacional da NÃO-violência contra a Mulher
Ahimsa, que falei um pouquinho neste...Mantra OM
O termo mantra deriva da raiz verbal...Nascimento da Lavínia da Sabine (28/03/11)
É PRECISO ENLOUQUECER PARA PARIR Por...Yoga e o parto
A pratica do yoga busca a conexão...
Curso Parto Ativo com Janet Balaskas
Nesse último final de semana aconteceu...

